Seu Nelson, um filho adotivo que a cidade acolheu
Data da publicação: 06/08/2026 - Tempo de leitura: 4 minutos
Foto: Urbam
Na correria do dia a dia, os agentes ambientais podem passar despercebidos. Eles saem antes da maioria das pessoas acordar e seguem trabalhando, deixando as ruas limpas com um serviço geralmente silencioso. Esse não é o caso de José Nelson Veloso, o Seu Nelson.
Funcionário da Urbam (Urbanizadora Municipal) há 31 anos, Seu Nelson é figura conhecida nas ruas do centro de São José dos Campos, onde entre uma varrida e outra também arruma tempo para uma conversa rápida com quem cruza seu caminho todos os dias.
Com apenas 9 anos, deixou a casa dos pais em Minas Gerais para trabalhar. Viajou escondido em um trem e sem dinheiro e documento, foi parar por engano na cidade que viria a chamar de sua. Mais de seis décadas depois, aos 71 anos, segue nas mesmas ruas que o receberam.
Nascido em Carvalho, Nelson cresceu trabalhando na roça e decidiu fugir após ouvir conversas sobre como era possível ganhar dinheiro em São Paulo. “Não tinha dinheiro, não tinha documento, não tinha nada, e eu sozinho, só com a roupa do corpo”, recorda.
Por acaso
Em uma embarcação improvisada, ele saiu do trem pensando ter chegado ao destino e levou um susto: “Perguntei para um rapaz se aqui era São Paulo e ele me respondeu que era São José dos Campos”, conta rindo da lembrança.
Desorientado na estação, foi acolhido por um fazendeiro da região do Jaguari, que ofereceu trabalho, comida e estudo.
Depois de passar por algumas fábricas da cidade, Nelson ingressou na Urbam em 1996, por meio do concurso público, e já exerceu diversas funções na empresa. Após um momento difícil, ele contraiu Covid-19 e ficou em estado grave, precisando se afastar das atividades por um ano.
Após sua recuperação, sentiu alívio em poder voltar ao trabalho: “Se eu ficar em casa, eu fico doente”, diz.
Ele explica que carrega seu apelido com orgulho. “A cidade e a Urbam me adotaram. E eu agradeço por isso”, diz Nelson.
A trajetória do Seu Nelson, que tem dois filhos joseenses, carrega o retrato de uma São José dos Campos que acolhe quem chega, mesmo por acaso, e oferece a ela a chance de construir uma vida inteira.
O texto faz parte da série Talentos de São José, produzida em comemoração aos 259 anos de São José dos Campos.